Capítulo 1: O Despertar em um Mundo Desconhecido - Anna
Eu abri os olhos e me vi em uma sala estranha, cercada por outros adolescentes. No começo, tudo estava confuso. Minhas memórias estavam fora de ordem, fragmentadas. Mas, à medida que os dias passavam, as lembranças começaram a voltar. Antes de estar neste lugar, eu estava em uma construção, sofrendo um acidente. Tenho quase certeza de que morri, pois recordo os escombros esmagando meu corpo. No entanto, acordei nesse local desconhecido, rodeada por outras pessoas.
Com o tempo, fiz amizade com dois outros jovens, Gabriel e Sofia. Os dias se arrastavam e, juntos, nos perguntávamos por que estávamos presos naquela sala, recebendo apenas comida através de um pequeno buraco. No entanto, as respostas para nossas perguntas logo vieram. Descobrimos que fomos capturados por cientistas, arrancados de nossas famílias e transformados em cobaias para experimentos mágicos. Eles tentavam extrair nossas habilidades mágicas, mas muitas crianças não sobreviviam ao procedimento, e seus corpos eram descartados na mesma sala em que estávamos aprisionados.
Vivíamos sem esperança, sem saber o que fazer. Éramos mantidos acorrentados, incapazes de usar nossos poderes e enfraquecidos. Antes de acordar nesse lugar, eu era forte, saudável e tinha mais de quarenta anos. Eu servia no exército e estava cheia de esperança. Agora, meu corpo era frágil e sem forças. Sentia-me mais jovem, porém minhas pernas não tinham forças para me sustentar. Não comíamos nem bebíamos adequadamente. Éramos apenas alvos de experimentos, destinados a sermos descartados.
"Gabriel, Sofia, o que estamos fazendo aqui?" perguntei com desespero. "Será que este é o purgatório, o pós-vida?"
Gabriel olhou para mim com olhos cansados e tristes. "Não sei, Anna. Tudo parece tão terrível e sem sentido. Eu só quero sair daqui, voltar para minha família."
Sofia, com a voz trêmula, acrescentou: "É como se estivéssemos presos em um pesadelo interminável. Eu sinto falta da minha mãe, dos meus irmãos. Quero voltar para casa."
Os dias se arrastavam nessa prisão infernal. E foi então que descobri uma habilidade especial em mim. Eu podia fazer leitura energética, enxergar auras e discernir entre pessoas boas e más. Os cientistas ao nosso redor eram envolvidos por uma aura de magia caótica, enquanto Gabriel e Sofia irradiavam uma luz pura.
Enquanto a sala se esvaziava, e restavam apenas algumas poucas crianças, fui envolvida por mais correntes. Os cientistas pareciam determinados a diminuir ainda mais meus poderes, pois chegara o dia em que eu deveria morrer e meu corpo seria descartado ali mesmo. Antes que eles pudessem me levar embora, no entanto, algo inesperado aconteceu. Os cientistas fugiram precipitadamente, deixando-nos trancados na sala. Fomos alertados de que o local estava sendo invadido pela Força Real de Aradia.
Enquanto ouvíamos os barulhos lá fora, as crianças sobreviventes entraram em desespero. Ninguém sabia se aquilo era algo bom ou ruim.
"O que está acontecendo?", perguntou Gabriel, com a voz trêmula. "Será que estamos sendo salvos ou apenas trocando um cativeiro por outro?"
Eu tentei acalmá-los, pedindo que ficassem em silêncio. Algo dentro de mim dizia que uma presença poderosa se aproximava do local. Pedi para que todos se colocassem atrás de mim, pois ainda não sabíamos quais eram as verdadeiras intenções da pessoa que se aproximava.
No momento em que terminei de falar, a parede à minha frente se despedaçou, e uma nuvem de poeira invadiu o ambiente. No meio dessa poeira, surgiu uma figura masculina, um homem fardado com uma vestimenta nobre. Ele parecia ter saído de um livro de contos de fadas, usando um traje elegantíssimo, como um nobre da realeza. Seus olhos eram tão azuis quanto o céu, seu corpo esculpido e seus cabelos grisalhos, cuidadosamente aparados e terminando em mechas azuis. Era um homem charmoso e elegante, que capturou minha atenção imediatamente. Parecia um nobre dos livros que eu costumava ler quando era mais jovem.
O homem caminhou em minha direção, exalando uma aura de nobreza e poder. Com suas mãos imbuidas de magia, ele confortou-me com palavras enquanto quebrava minhas correntes com facilidade. Seu semblante carregava uma expressão de raiva. Em seguida, ele abriu um portal e nos disse que, se quiséssemos viver, teríamos que confiar nele. Eu senti a pureza em seu coração e orientei as outras crianças a fazerem o que o nobre pedia.
"Vamos confiar nele", eu disse com firmeza. "Ele é nossa chance de escapar desse pesadelo."
Os olhos das outras crianças buscaram minha confiança, e uma por uma elas se aproximaram do portal, prontas para seguir aquele misterioso nobre e encontrar uma nova esperança em um futuro incerto.
Continua...


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